Músicas
Quando o Oasis tocou no Rock in Rio com fãs gritando “Guns N’ Roses”

Se a visita do Oasis ao Brasil em 1998 foi até tranquila, em 2001 as polêmicas vieram a rodo. Uma delas se deu ainda na Inglaterra: uma funcionária da companhia aérea British Airways alegou ter sido assediada sexualmente pelo vocalista Liam Gallagher às vésperas da viagem para o Rio de Janeiro, onde tocariam na 3ª edição do Rock in Rio. O cantor teria feito um gesto obsceno na direção da mulher e apalpado suas nádegas. O caso foi arquivado.
Em solo carioca, os ingleses sentiram já antecipadamente um clima hostil que em nada combina com festival. O grupo havia sido escalado para o 3º dia de evento, 14 de janeiro, abrindo para Guns N’ Roses — na sua primeira grande performance em 8 anos — e tocando após Papa Roach, Ira! com Ultraje a Rigor (pois é), Carlinhos Brown(!) e Pato Fu. Nada a ver com nada.
E o que eles fazem diante de uma fogueira? Jogam gasolina, claro. Na coletiva de imprensa antes do show, o guitarrista Noel Gallagher foi convidado a dizer o que seria, em sua opinião, “um mundo melhor” — slogan daquela edição do festival. Na provocativa resposta, afirmou: “Um ar mais puro. Nada de armas [guns]… ou rosas [roses]”. Ele emendou com “isso é uma piada”, mas os repórteres ignoraram essa parte.
Em cima do palco, o Oasis, à época promovendo o álbum Standing on the Shoulder of Giants (2000), não decepcionou. Trazendo Gem Archer (guitarra) e Andy Bell (baixo) nas vagas de Paul “Bonehead” Arthurs e Paul “Guigsy” McGuigan, o grupo fez seu melhor show no Brasil no quesito técnico. Archer e Bell são mais habilidosos que seus antecessores, Liam ainda vivia grande fase vocal, Noel se encontrava cada vez mais como cantor e Alan White sempre foi ótimo baterista.
Talvez apenas a montagem do setlist de 1h15 tenha falhado ao ter poucas músicas realmente ardidas, como “Cigarettes & Alcohol” e “Rock n Roll Star”, esta dedicada a Axl Rose de modo irônico. Mas só.
O mesmo público que horas antes tratara Carlinhos Brown à base de garrafadas não estava tão receptivo. No intervalo entre uma música e outra, ouvia-se muitos gritos de “Guns N’ Roses”. Tal manifestação se arrefeceu conforme o repertório seguia, especialmente na parte de mega-hits como “Don’t Look Back in Anger” e “Wonderwall”. Até o hard-rocker mais ávido se rende ao “I said maybeee”.
Repertório — Oasis no Rock in Rio 2001
- Go Let It Out
2. Who Feels Love?
3. Supersonic
4. Acquiesce
5. Gas Panic
6. Wonderwall
7. Cigarettes & Alcohol
8. Don’t Look Back in Anger
9. Live Forever
10. Hey Hey, My My (Into the Black) (cover de Neil Young & Crazy Horse)
11. Champagne Supernova
12. Rock n Roll Star
Rolling Stone Brasil: Edição de Colecionador — Oasis

Rolling Stone Brasil – Edição de colecionador. O sonho do retorno do Oasis com Noel e Liam Gallagher na formação parecia impossível. Não é mais. A dupla, cheia de atitude, deixou sua marca no rock mundial logo nos dois primeiros discos de estúdio, Definitely Maybe (1994) e (What’s the Story) Morning Glory? (1995), cujas músicas ressoam com os antigos e novos fãs.
Os Gallagher sobreviveram ao teste do tempo e estão melhores do que nunca, seja tecnicamente ou pela relação interna. Neste especial, a Rolling Stone Brasil resgata as brigas, disseca o estilo inconfundível dos irmãos de Manchester e faz uma análise aprofundada da discografia, lados B e melhores músicas da banda. À venda no site Loja Perfil.
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Fonte: Rolling Stones

