
Maio de 2026 marcou um momento aguardado pelos fãs do Wolf Alice no Brasil: após mais de uma década de existência — e em constante reinvenção sonora —, a banda inglesa de indie rock finalmente fez sua estreia nos palcos brasileiros.
O grupo, formado por Ellie Rowsell (vocal), Theo Ellis (baixo), Joel Amey (bateria) e Joff Oddie (guitarra), apresentou-se no C6 Fest, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e fez um show solo no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. “Parece que muita gente estava esperando há um bom tempo para a gente vir aqui”, comentou Oddie à Rolling Stone Brasil.
Os shows fazem parte da turnê do quarto álbum de estúdio da banda, The Clearing (2025) — disco recheado de referências setentistas, mas que não abre mão da contemporaneidade. Sucessor de My Love Is Cool (2016), Visions of A Life (2017) e Blue Weekend (2021), The Clearing garantiu ao Wolf Alice o prêmio de Grupo do Ano no Brit Awards 2026. Este ano, a banda também se tornou a primeira da história a receber nomeações ao Mercury Prize com todos os seus trabalhos de estúdio.
Mas, ao longo desse trajeto na música, o grupo não se manteve estático. Eles atravessaram sonoridades que incorporam elementos do folk, indie e shoegaze, além de rock clássico e até mesmo alguns suspiros de pop, revelando sua disposição para desafiar expectativas e continuar expandindo os próprios limites criativos. Esse processo de infinita experimentação faz parte do DNA do Wolf Alice. “Trabalhamos com produtores diferentes em cada disco, mas a essência da banda sempre foi nós quatro e o que nos empolga”, conta Amey.
Na turnê atual, os artistas apresentam The Clearing quase na íntegra e alguns de seus maiores sucessos anteriores, como “Don’t Delete The Kisses” e “Bros”. O processo de escolher as faixas não é para qualquer um: “É uma eterna busca pela setlist perfeita, e quando dá certo, a sensação é incrível. Mas você sabe quando não está exatamente certo, então você fica pensando: por que não está exatamente certo?”, relembra Ellie Rowsell.
Ao longo dos anos, Wolf Alice se apresentou ao lado de grandes nomes da indústria mundial, abrindo shows para Foo Fighters, Harry Styles, Queens of the Stone Age e muito mais (em breve, eles farão o mesmo para a estrela pop Olivia Rodrigo). Após darem a volta ao mundo, também se preparam para um momento particularmente simbólico: o homecoming show em Londres, sua cidade natal, marcado para 5 de julho.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, os integrantes da banda revelaram detalhes sobre a trajetória na música, o momento atual de carreira, experiência no Brasil e como estão os planos para o futuro — além de revelar o segredo para manter a chama da criatividade sempre acesa.
Queria começar falando sobre a primeira experiência de vocês no Brasil. Em uma entrevista para a Rolling Stone Brasil no ano passado, vocês mencionaram que queriam muito vir para cá. Como foi tocar no Brasil pela primeira vez? O público correspondeu às suas expectativas?
Theo Ellis: Sim, foi incrível. Estamos muito felizes por estar aqui. Tocamos no C6 Fest, fizemos um show no Rio e agora estamos aqui hoje. Sinto que não tivemos tempo suficiente para explorar direito, [mas] parece ótimo. Preciso sair para beber e dançar como deveria. Mas nos sentimos muito sortudos por poder vir a essa parte do mundo [América do Sul] pela primeira vez. Tem sido demais.
Teve algo nos shows aqui que surpreendeu vocês de forma positiva ou inesperada? Vocês notraam diferenças muito claras entre o público em diferentes países e lugares?
Joff Oddie: O público do C6 estava muito animado. Foi realmente ótimo. Tinham papelões gigantes com nossos rostos que as pessoas fizeram, e aquelas bandeiras do Brasil incríveis, com nossas fotos de divulgação e outras coisas. Conhecemos muita gente depois do show. A vibe estava ótima. Realmente incrível. Parece que muita gente estava esperando há um bom tempo para a gente vir. Foi uma honra tocar aqui.
Vocês tocaram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tiveram a chance de explorar um pouco as cidades? O que vocês mais gostaram?
Ellie Rowsell: Tive um dia bem turístico no Rio de Janeiro. Subi no Pão de Açúcar e andei de teleférico, o que foi assustador. Me deixou exausta para o show, porque minha adrenalina estava a mil. [Também fui no] antigo bar de samba, onde supostamente o samba nasceu, e as pessoas iam para a rua dançar com as caixas de som.
Foi muito divertido. Muita música e drinks. Tivemos um ótimo dia. Aproveitei bastante. Infelizmente, em São Paulo estava chovendo torrencialmente. Foi uma tempestade daquelas. Apenas fizemos o festival. Mas, felizmente, estamos de volta hoje, então esperamos poder sair para comer algo delicioso. Ouvi dizer que São Paulo tem muitos restaurantes bons.
Queria conversar um pouco mais com você sobre este momento da sua carreira. Vocês estão juntos há mais de uma década e, durante esse tempo, o som do Wolf Alice evoluiu de um folk mais suave para o rock, incorporando também alguns elementos pop. Como vocês enxergam esse processo de experimentação e a evolução do seu som ao longo dos anos? Foi algo consciente ou simplesmente aconteceu?
JO: Não sei, na verdade. Acho que sempre admiramos artistas que conseguem fazer mais de uma coisa. Sempre falávamos muito sobre Patrick Wolf, que é um artista solo inglês, multi-instrumentista, incrivelmente eclético, e artistas como Beck, que fazem coisas parecidas. Mas acho que mantém tudo mais fresco para nós, experimentar coisas novas e nos desafiar.
Acho que seria chato se acabássemos fazendo sempre a mesma música. O que você acha, Joel?
Joel Amey: Concordo.
JO: Joel concorda.
The Clearing tem algumas referências aos anos 1970. O som é um pouco diferente dos trabalhos anteriores, mas ainda tem a cara de um álbum do Wolf Alice. O que guiou a direção deste álbum? Havia alguma atmosfera ou referência específica que vocês queriam alcançar durante a produção? Alguma grande inspiração?
ER: Com certeza. Nos nossos álbuns anteriores, a gente não falava muito sobre inspirações nem nada do tipo. Simplesmente entrávamos no estúdio e deixava rolar. Desta vez, pensamos: “É isso que estou curtindo no momento, eu adoraria fazer algo que soasse assim”. Fomos bem referenciais dessa vez. Aproveitamos muito do que aprendemos em nossas experiências anteriores no estúdio, o que não gostamos ou o que queríamos mudar.
Tudo foi um pouco mais… “pré-calculado” pode soar chato, mas era mais ou menos assim: “O que eu quero fazer?”, em vez de simplesmente ver o que acontecia.
Nos últimos anos, como vocês disseram, vocês transitaram por diferentes gêneros. O que vocês consideram a essência do Wolf Alice, independentemente do gênero ou da estética do disco que estão produzindo?
JA: Sempre fomos nós quatro. Trabalhamos com produtores diferentes em cada disco, mas a essência da banda sempre foi nós quatro e o que nos empolga. Geralmente há um momento no estúdio, independentemente da música, do som ou do gênero, quando nós quatro ouvimos tudo de volta pelas caixas de som em alto volume, pensamos: “OK, é isso que queremos”. Quando você se conecta assim, essa é a sua essência, a certeza de que está indo na direção certa.
Levou um tempinho para nos encontrarmos, mas quando começamos a ouvir as gravações, acho que soubemos que estávamos juntos na direção certa.
Com o lançamento de The Clearing, vocês também se tornaram o primeiro grupo a receber indicações ao Mercury Prize por todos os quatro primeiros álbuns de estúdio. Vocês também ganharam o Brit Awards no início deste ano. O que esse tipo de reconhecimento significa para vocês hoje?
ER: É ótimo porque, especialmente este ano, havia tantos artistas incríveis se apresentando e indicados ao Brit Awards. Você se sente muito honrado por estar entre esses nomes. É muito lisonjeiro. E o Mercury Prize também, acho que é uma grande honra porque conheço o processo de seleção dos indicados e dos vencedores. Eles levam isso muito a sério, é legal e envolve muitos artistas novos e veteranos. E é bom estar entre essas pessoas.
Porém, obviamente, isso não deveria ser o objetivo principal. Não deveria ser o que você almeja. É sempre uma noite divertida — bem, na maioria das vezes.
Vocês tiveram alguma experiência especial este ano?
TE: A after party do Brit Awards deste ano foi nota 10. Parecia um casamento. Parecia que todo mundo se soltou e se jogou na festa. Foi ótimo. Pista de dança incrível, nota 10. É sempre bom ser convidado para algo assim.
Na última entrevista com a Rolling Stone Brasil, vocês mencionaram que The Clearing surgiu de um momento de maior maturidade da banda. Algo mudou na forma como vocês compõem, gravam e tomam decisões criativas em comparação com álbuns anteriores? A dinâmica de composição entre vocês mudou ou sempre foi a mesma?
JA: Houve um aumento na nossa confiança, talvez. Se compararmos Blue Weekend com The Clearing, sonoramente, fomos confiantes o suficiente para deixar mais espaço nos arranjos.
Quando você é um artista mais jovem no estúdio, é muito empolgante estar lá. Quero usar todos os sintetizadores, experimentar todos os equipamentos diferentes e tentar encontrar um lugar para cada coisa. Talvez, um sinal de maturidade seja perceber que a música é tão forte quanto sem todos esses recursos. Você começa a dar destaque a outros elementos no palco, e… Acho que The Clearing é um exemplo disso.
Como tem sido a turnê de The Clearing até agora? O álbum é mais melódico em comparação com Blue Weekend, por exemplo. O que vocês querem que o público sinta durante os shows?
TE: Tem sido incrível. Quando você faz algo por muito tempo, as coisas se tornam semelhantes, ligeiramente diferentes, mas parecidas. Parece uma experiência nova de novo, este álbum, especialmente com a parte das turnês. Há muitos temas relacionados à performance e à dualidade entre o lar e a performance, acho que isso é muito explorado em nossos shows ao vivo.
Criamos o que eu considero mais um espetáculo do que somente uma apresentação. Parece algo mais pensado, mais teatral, o que tem sido algo novo a se explorar. Tem sido uma alegria imensa. Tivemos a oportunidade de trabalhar com pessoas incríveis, que são excelentes em suas áreas, desde os operadores de câmera até aqueles que nos ajudam com o show ao vivo. Levamos esse cenário dramático de enfeites brilhantes pelo mundo. Tem sido muito divertido.
Aqui no Brasil, e na maioria dos shows recentes, vocês misturaram músicas do The Clearing, principalmente, com sucessos de diferentes momentos da carreira. Qual foi o processo de criação desse setlist? Qual foi era prioridade?
JA: Uma loucura.
TE: Todo mundo ficou maluco tentando montar a setlist.
ER: A gente leva isso muito a sério. Sei que pareço maluca quando falo disso. Por algum motivo, é tipo uma eterna busca pela setlist perfeita, e quando dá certo, a sensação é incrível. Você sabe quando não está exatamente certo, então pensa: por que não está exatamente certo?
JO: O chato que estamos aprendendo agora é que a setlist perfeita muda ao longo do tempo, e agora estamos numa situação estranha em que tentamos pensar: “OK, temos uma setlist muito boa”. Agora, como mudamos? Como fazer ela se transformar? Esse é outro desafio insano e sem fim, mas muito divertido. Mais ou menos, na verdade. Talvez não. Talvez torturante.
ER: É como se a gente estivesse perdido sem o desafio, mas… estamos numa prisão.
JA: Lembro-me que colocávamos todos os nomes das músicas em um pedaço de papel e depois recortávamos os nomes para movê-los de lugar. Literalmente saímos do palco, me joguei no chão e pensei: “Errado, errado”. Fiquei tipo: “Na verdade, pareço meio louco fazendo isso”.
JO: Quando fizemos a abertura para o Queens of the Stone Age anos atrás, eles mudavam o repertório toda noite e era sempre diferente. E é uma das coisas mais incríveis que um artista pode fazer, especialmente quando você tem um catálogo extenso onde as pessoas querem ouvir coisas diferentes.
Um show surpresa.
JO: Exatamente, sim. Você não quer tocar a mesma coisa todas as noites.
ER: Você não quer se sentir como se estivesse fazendo tudo no automático, ou como um robô se apresentando, então você tem que variar e tornar tudo um pouco mais assustador para si mesmo, porque senão você se sente como um robô.
Depois de todos esses anos tocando em shows diferentes com repertórios diferentes, qual é a música favorita de cada um de vocês para tocar ao vivo no momento?
TE: Minha música favorita para tocar no momento é “The Sofa“. Gosto dela. Gosto de tocar essa música. É uma sensação boa. Adoro a linha de baixo. É divertido tocar. Ellie canta muito bem.
ER: Sabe, eu gostei muito de tocar “You’re a Germ” uma outra noite… Não me lembro quando. É uma música bem antiga e meio boba, mas foi bem divertido. O fato de ser gritado faz com que as pessoas, mesmo que não conheçam bem a canção, consigam se envolver, então é bem divertido.
JO: Tenho gostado muito de tocar uma chamada “Bread Butter Tea Sugar“. Sinto como se estivesse numa banda de glam rock quando a gente toca. É divertido.
JA: É, eu ia dizer essa faixa, mas vou dizer “Don’t Delete The Kisses“, que quando fomos para a Austrália recentemente e começamos a tocar, pensei: “Ah, é verdade, temos essa música” e comecei a ouvi-la de uma forma nova e diferente. Fiquei meio acomodado por termos uma música como essa, que é realmente especial, e me apaixonei por ela de novo.
O show no Brasil aconteceu uma década depois do lançamento do primeiro álbum de vocês, My Love Is Cool. Hoje a única música daquele álbum regularmente no repertório é “Bros”. Como é revisitar essa música ao vivo agora? A relação de vocês com ela mudou? Como é tocar um dos seus primeiros sucessos?
ER: É uma música estranha de tocar. Por um tempo, fiquei pensando “meu Deus, isso não parece a gente”. É uma canção muito doce, com uma sonoridade bem jovial, mas sinto que completei um ciclo. Passei por uma espécie de adolescência tardia, em que pensava: “Não quero tocar essa música, não é legal”, e agora penso: “Ah, é tão fofa! Adoro ela!”.
Gosto muito de tocá-la agora, especialmente aqui, por algum motivo. Acho que foi mais especial. Todo mundo cantava junto, talvez porque nunca tínhamos tocado aqui antes, então era a primeira vez que as pessoas a ouviam, enquanto nós já a tocamos inúmeras vezes. Foi legal sentir a energia de alguém ouvindo pela primeira vez.
Vocês já abriram shows para artistas enormes e muito diferentes, como Foo Fighters e Harry Styles. O que vocês aprenderam tocando para públicos tão diferentes?
JA: Gosto bastante de ter meia hora para tentar provar meu valor para um grupo de pessoas. Na verdade, tivemos muita sorte, e o público das bandas que você mencionou foi incrível. O Harry Styles, em particular, se destacou. Eu estava bem nervoso, achava que, no papel, não daria certo, o que foi muita ignorância da minha parte. O público dele era aberto e receptivo a vários estilos musicais diferentes, e foi uma alegria.
Tocar nesses tipos de arenas nos ensinou muito sobre o tipo de artista que somos hoje. Porque estávamos tocando em grandes espaços com ele, e eu pensava, “talvez eu tente só ir para ia para essa parte da arena e tocar um solo de guitarra aqui”, e era muito, muito divertido. Queens of the Stone Age foi um sonho realizado, e com o Foo Fighters também foi muito divertido.
Vocês vão fazer um grande show de retorno para casa em Londres em breve. Há algo diferente em tocar em casa depois de viajar pelo mundo?
JA: Bem, a lista de convidados é sempre um pesadelo, mas tirando isso…
ER: Sim, acho que é bem tenso tocar para pessoas que você conhece no seu show em casa… Amigos e familiares estarão lá, e esse é um tipo diferente de nervosismo às vezes, especialmente com os amigos, então essa é sempre uma grande diferença.
E as pessoas querem ver os artistas tocarem em suas cidades natais. O público é bom em qualquer lugar, não que vá ser melhor do que o show no Brasil, sabe? Mas, se eu fosse comprar um ingresso para uma banda, gostaria de vê-la em sua cidade natal, por algum motivo.
Vocês tiveram algum lugar favorito para tocar até agora, algum show que realmente te emocionou durante a turnê?
TE: Tivemos um show incrível em Buenos Aires [na Argentina] outro dia, mas eu gostaria de voltar e gostaria de fazer um show [solo] nosso em São Paulo, seria incrível. Tivemos muitos momentos incríveis ultimamente e não consigo pensar em nenhum em específico, então isso é um bom sinal.
ER: Essa viagem foi realmente incrível. Sinto muito que demoramos tanto para chegar aqui. Não sei bem o que aconteceu.
TE: Não vai demorar uma década para a próxima vez. Faremos outro álbum, e será bem mais rápido. Cinco anos, não dez.
Certo. Vou anotar.
TE: Não, não, muito antes disso.
Depois de tantos anos como banda, explorando constantemente sons diferentes, o que inspira vocês a manter a criatividade viva? O que dá a vocês essa energia para fazer música nova e explorar novos sons?
TE: Acho que é diferente para cada um, mas às vezes isso pode ajudar a dar sentido a… Passamos por várias experiências bizarras ao criar este disco. Para mim, muitas vezes é como respirar fundo quando vou escrever algo, o que ajuda a entender como me senti em relação ao que aconteceu. Acho que somos compositores bastante reflexivos, até certo ponto, e isso te ajuda a entender seus sentimentos, a aprender algo sobre si. Para mim, é algo bastante tranquilo, principalmente quando é o primeiro passo, quando estou colocando algo para fora. Pode ser muito interessante e até mesmo me acalma um pouco — talvez seja por isso que gosto de fazer isso.
Legal. Muitas bandas trocam de integrantes ou se desgastam depois de alguns anos. O que permitiu que vocês continuassem trabalhando tão bem juntos como grupo durante essas mudanças? O que os manteve unidos?
ER: Acho que…
JA: a gente se diverte.
ER: A gente dá risada. Sim. É uma boa pergunta. Acho que a gente faz isso há tanto tempo que sabemos que somos todos bem independentes, mas também… Sim, é como se a gente se entendesse e soubesse quando talvez…
E é importante ter essa independência.
TE: Sim, existe uma intuição legal entre nós, e todo mundo mudou como pessoa. Conforme a vida avança, você tem responsabilidades diferentes e coisas novas acontecem, e acho que, sem dizer nada, a gente percebe isso e dá um ao outro espaço para crescer individualmente. E também estamos unidos por essa coisa, que é a banda e o amor por fazer música juntos, e isso tem sido uma constante em nossas vidas, o que é um privilégio enorme. E acho que também funciona para nós, então somos protetores disso, e tenho orgulho de ainda sermos nós. Isso é muito importante. Se isso for interrompido, fico chateado. Quero que sejamos nós quatro.
JO: Mesmo assim, todos nós entendemos a sorte que temos de estar em uma banda e poder continuar assim depois de todos esses anos, sabe? Então, como você disse, somos protetores uns com os outros e com o projeto.
Em breve vocês abrirão alguns shows para a Olivia Rodrigo. Como surgiu esse convite? Quais são suas expectativas?
ER: Estou muito animada. Ela tem fãs incríveis, e sempre escolheu bandas de abertura interessantes. Neste ano, também tem a The Last Dinner Party, e parece que as ideias partem dela, o que é muito legal.
Não faço ideia de como será. Eu assisti aos shows dela na TV, foi ótimo. Ela é brilhante. Então, estou muito ansiosa para estar lá como fã também.
Vocês estão em um ótimo momento agora, nessa grande turnê. Quando olham para o futuro, ainda existem territórios musicais, coisas diferentes que gostariam de explorar? Alguma ideia nova começou a surgir durante essa experiência ao vivo?
JA: Sim, temos muitas. Não sinto que estejamos criativamente esgotados. Sempre há algo para explorar, desde algo muito pequeno até algo muito grande. E tocar essas músicas ao vivo tem sido interessante, e tem sido interessante para mim descobrir que tipo de sensação quero transmitir com as músicas nesse contexto, e ver como essa troca de energia funciona.
Lançamos o Blue Weekend na época da Covid-19, e então a pandemia aconteceu e compusemos durante esse período, e sinto que estou aprendendo sobre a importância de me movimentar e estar em um ambiente ao vivo. Mas não sei se alguma ideia já se concretizou. Não tenho certeza de qual direção tomaremos, mas será a soma de todas as nossas partes e experiências, e espero que seja divertido.
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Fonte: Rolling Stones

